Quando baixar o “pace” parece errado
Você já sentiu que viver virou uma prova de velocidade?
Como se cada dia fosse um tiro de 100 metros, e não uma maratona?
É assim que muita gente corre por aí, assim como, em muita das vezes, eu: largando forte, acelerando no limite, como se não houvesse linha de chegada — só mais uma volta, mais uma entrega, mais uma notificação respondida.
A agenda lotada virou troféu.
Inbox zerada, medalha no peito.
Responder mensagem à meia-noite? Recorde pessoal.
Mas… será mesmo que isso é vitória?
No esporte, a gente sabe: ninguém sustenta pace de tiro por 42 km. Se tentar, quebra.
- Então por que insistimos em viver assim?
- Por que acreditamos que só temos valor quando estamos correndo no limite?
Talvez a produtividade não esteja na velocidade. Talvez ela esteja no percurso, na estratégia, no ponto certo para hidratar e respirar.
Quando viver no sprint custa caro
Para quem lidera equipes ou toca um negócio, essa corrida sem fim tem um preço alto:
- Decisões ruins por falta de tempo para pensar: Planejamento vira improviso, qualidade despenca.
- Relacionamentos no automático: Conversas rasas, oportunidades perdidas.
- Burnout disfarçado de performance: Exaustão tratada como sinal de dedicação.
É como largar forte demais em uma maratona:
sai bonito na foto, mas não sustenta por um longo tempo.
O vício do sprint: dopamina barata
Sabe aquela sensação boa quando você risca algo da lista ou responde uma mensagem no WhatsApp?
É como tomar um gel energético: dá um pico rápido, te anima… mas não garante que você vai completar a prova.
Essas pequenas operações fazem parte da prova. Não dá para ignorá-las, elas são importantes.
O problema é quando passamos o dia inteiro nelas, acreditando que isso, por si só, é corrida. Não é.
Elas ajudam, mas não ganham a prova.
Enquanto isso, o que realmente importa — estratégia, inovação, experiência do atleta ou do cliente — fica para depois.
E aí, quando percebemos, gastamos energia demais no tiro curto e nenhuma no plano de chegada.
Por que baixar o “pace” dá culpa?
Como explica a psicóloga Sandra Bueno, crescemos ouvindo que descansar é preguiça. Por isso, quando tentamos reduzir o ritmo, bate a culpa — como se desacelerar fosse desistir da prova.
E isso não é só psicológico: falo por mim mesmo, que ainda estou aprendendo a lidar com isso.
✔ Adiamos férias.
✔ Aceitamos reuniões desnecessárias.
✔ Trabalhamos fora de hora para mostrar “comprometimento”.
Mas essa lógica é uma cilada. No esporte, você sabe:
…quem ignora os pontos de hidratação pode até sair na frente, mas dificilmente termina bem.
O que seria correr no “modo economia de energia”?
Se você já veio à Bahia, sabe: aqui o tempo tem outro ritmo. A gente costuma dizer: baiano não tem pressa — mas também não perde a hora.
É um superpoder: fazer acontecer sem atropelo.
E talvez exista uma lição aí: baixar o pace não é preguiça. É inteligência.
✔ É escolher as batalhas que importam.
✔ É proteger tempo para decisões estratégicas.
✔ É entender que descanso faz parte do jogo — assim como treino faz parte da prova.
Porque produtividade, assim como corrida, não é sobre largar forte. É sobre cruzar a linha de chegada inteiro.
Agora é com você
Antes de retomar sua rotina, reflita:
✅ Quantas vezes você sentiu culpa por descansar?
✅ Quantas decisões importantes adiou porque estava apagando incêndio?
✅ Como seria sua vida se medisse sucesso pelo percurso — e não só pelo pace?
Para assistir depois:
? Pinho – Pare de fazer as coisas de qualquer jeito: Assista aqui
? Psicóloga Sandra Bueno – Use o tédio a seu favor: Assista aqui
Confira 3 ajustes, que você pode adotar agora, para baixar o pace sem perder performance:
- Bloqueie tempo para pensar. Comece com 1 hora por semana sem interrupções.
- Defina prioridades reais. Pergunte: isso gera impacto ou só dá sensação de movimento?
- Simplifique processos. Nem tudo precisa virar reunião.
Baixar o pace não é desistir. É estratégia. É respeitar o corpo, a mente e a direção.
No esporte, isso evita a quebra. Na vida, evita o burnout.
Seja aquele que soube ajustar, aproveitar a paisagem e chegar inteiro.