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  3. Quando baixar o “pace” parece errado
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Caio Carvalho · 1 ago, 2025

Quando baixar o “pace” parece errado

Você já sentiu que viver virou uma prova de velocidade?
Como se cada dia fosse um tiro de 100 metros, e não uma maratona?

É assim que muita gente corre por aí, assim como, em muita das vezes, eu: largando forte, acelerando no limite, como se não houvesse linha de chegada — só mais uma volta, mais uma entrega, mais uma notificação respondida.

A agenda lotada virou troféu.

Inbox zerada, medalha no peito.

Responder mensagem à meia-noite? Recorde pessoal.

Mas… será mesmo que isso é vitória?

No esporte, a gente sabe: ninguém sustenta pace de tiro por 42 km. Se tentar, quebra.

  • Então por que insistimos em viver assim?
  • Por que acreditamos que só temos valor quando estamos correndo no limite?

Talvez a produtividade não esteja na velocidade. Talvez ela esteja no percurso, na estratégia, no ponto certo para hidratar e respirar.

Quando viver no sprint custa caro

Para quem lidera equipes ou toca um negócio, essa corrida sem fim tem um preço alto:

  • Decisões ruins por falta de tempo para pensar: Planejamento vira improviso, qualidade despenca.
  • Relacionamentos no automático: Conversas rasas, oportunidades perdidas.
  • Burnout disfarçado de performance: Exaustão tratada como sinal de dedicação.

É como largar forte demais em uma maratona:
sai bonito na foto, mas não sustenta por um longo tempo.

O vício do sprint: dopamina barata

Sabe aquela sensação boa quando você risca algo da lista ou responde uma mensagem no WhatsApp?
É como tomar um gel energético: dá um pico rápido, te anima… mas não garante que você vai completar a prova.

Essas pequenas operações fazem parte da prova. Não dá para ignorá-las, elas são importantes.
O problema é quando passamos o dia inteiro nelas, acreditando que isso, por si só, é corrida. Não é.
Elas ajudam, mas não ganham a prova.

Enquanto isso, o que realmente importa — estratégia, inovação, experiência do atleta ou do cliente — fica para depois.

E aí, quando percebemos, gastamos energia demais no tiro curto e nenhuma no plano de chegada.

Por que baixar o “pace” dá culpa?

Como explica a psicóloga Sandra Bueno, crescemos ouvindo que descansar é preguiça. Por isso, quando tentamos reduzir o ritmo, bate a culpa — como se desacelerar fosse desistir da prova.

E isso não é só psicológico: falo por mim mesmo, que ainda estou aprendendo a lidar com isso.

✔ Adiamos férias.
✔ Aceitamos reuniões desnecessárias.
✔ Trabalhamos fora de hora para mostrar “comprometimento”.

Mas essa lógica é uma cilada. No esporte, você sabe:

…quem ignora os pontos de hidratação pode até sair na frente, mas dificilmente termina bem.

O que seria correr no “modo economia de energia”?

Se você já veio à Bahia, sabe: aqui o tempo tem outro ritmo. A gente costuma dizer: baiano não tem pressa — mas também não perde a hora.

É um superpoder: fazer acontecer sem atropelo.

E talvez exista uma lição aí: baixar o pace não é preguiça. É inteligência.
✔ É escolher as batalhas que importam.
✔ É proteger tempo para decisões estratégicas.
✔ É entender que descanso faz parte do jogo — assim como treino faz parte da prova.

Porque produtividade, assim como corrida, não é sobre largar forte. É sobre cruzar a linha de chegada inteiro.

Agora é com você

Antes de retomar sua rotina, reflita:
✅ Quantas vezes você sentiu culpa por descansar?
✅ Quantas decisões importantes adiou porque estava apagando incêndio?
✅ Como seria sua vida se medisse sucesso pelo percurso — e não só pelo pace?

Para assistir depois:

? Pinho – Pare de fazer as coisas de qualquer jeito: Assista aqui
? Psicóloga Sandra Bueno – Use o tédio a seu favor: Assista aqui

Confira 3 ajustes, que você pode adotar agora, para baixar o pace sem perder performance:

  1. Bloqueie tempo para pensar. Comece com 1 hora por semana sem interrupções.
  2. Defina prioridades reais. Pergunte: isso gera impacto ou só dá sensação de movimento?
  3. Simplifique processos. Nem tudo precisa virar reunião.

Baixar o pace não é desistir. É estratégia. É respeitar o corpo, a mente e a direção.
No esporte, isso evita a quebra. Na vida, evita o burnout.

Seja aquele que soube ajustar, aproveitar a paisagem e chegar inteiro.



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