Organizador, como estão as artes de divulgação do seu evento?
Você pode ter um ótimo percurso, um kit atrativo e uma experiência bem planejada. No entanto, antes de descobrir tudo isso, o atleta precisa se interessar pela sua prova.
E, muitas vezes, o primeiro contato acontece por meio de uma publicação nas redes sociais.
Por isso, a arte de divulgação de um evento esportivo merece tanta atenção quanto outras etapas do planejamento. Afinal, ela ajuda a apresentar a proposta da prova, transmitir informações importantes e despertar o interesse pela inscrição.
Mas como criar uma peça que seja atrativa, clara e reconhecível?
Para responder a essa pergunta, reunimos quatro dicas e algumas orientações de Lohaine Cristine, coordenadora de Design da Ticket Sports, sobre como fazer o básico bem feito.
1. Mantenha a identidade visual do seu evento
Você já encontrou uma publicação de uma corrida e teve dificuldade para identificar de qual evento se tratava? Isso acontece com mais frequência do que parece.
Muitas vezes, encontramos peças de divulgação que destoam completamente da identidade visual da prova. As cores mudam, as fontes não seguem um padrão e as imagens parecem pertencer a qualquer outro evento.
Consequentemente, o atleta pode não reconhecer aquela comunicação e até ficar em dúvida se está, de fato, olhando para a prova que deseja comprar.
Como explicamos no episódio 6 da Jornada do Organizador, uma identidade visual bem construída permite que seu evento seja reconhecido mesmo sem a presença do logotipo.
Por isso, procure manter uma unidade entre suas divulgações. Utilize as cores, tipografias, fotografias e elementos gráficos que já fazem parte da comunicação da sua marca.
Além disso, essas escolhas precisam conversar com o conceito do evento.
Uma corrida infantil, por exemplo, pode utilizar cores vibrantes, personagens e elementos lúdicos. Já uma prova de trail running pode explorar imagens da natureza, do percurso e dos desafios que os atletas encontrarão.
Isso não significa que todas as publicações precisam ser iguais. Pelo contrário, é possível explorar diferentes composições sem perder a identidade construída anteriormente.
O importante é que o atleta reconheça sua prova antes mesmo de ler o nome.
2. Atenção à proporção das informações
Imagine abrir o Instagram e encontrar uma arte com cinco informações disputando o mesmo espaço.
Nome da prova, data, local, desconto e chamada para inscrição. Tudo em letras grandes, cores diferentes e sem uma ordem definida.
Qual informação você leria primeiro? É justamente para evitar essa confusão que existe a hierarquia visual.
Segundo Lohaine, um dos princípios fundamentais para construir uma boa peça de divulgação é simples: “O mais importante vem primeiro.”
Isso significa que nem todas as informações precisam ter o mesmo tamanho ou destaque. Pelo contrário, o organizador deve escolher o que deseja comunicar e estabelecer uma ordem de leitura.
Na maioria das divulgações, o nome do evento, a data, o local e as distâncias são informações essenciais. Entretanto, dependendo da campanha, uma abertura de inscrições, virada de lote ou desconto especial também pode ganhar protagonismo.
Outro ponto importante é a qualidade do texto.
Lohaine recomenda trabalhar com uma comunicação simples, objetiva e sem rodeios. Afinal, a arte não precisa explicar tudo sobre o evento. Informações complementares podem aparecer na legenda ou na página de inscrição.
A escolha da fonte também influencia essa percepção. Para a designer, a tipografia deve acompanhar o conceito da prova. Em um evento que pretende transmitir tranquilidade, por exemplo, uma fonte leve pode funcionar melhor do que letras muito pesadas.
Uma dica prática: faça um rascunho antes de começar a criar sua arte.
Defina onde ficará o nome da prova, quais informações precisam aparecer e qual será a chamada principal. Assim, você organiza melhor os elementos e evita uma peça visualmente poluída.
3. Saia do óbvio, mas com os pés no chão
Quanto tempo você tem para conquistar a atenção de um atleta nas redes sociais?
Rafael Kiso, fundador da mLabs, costuma destacar a velocidade com que consumimos conteúdos no ambiente digital. Em uma de suas análises, utiliza a referência de aproximadamente 1,7 segundo de atenção no feed, um indicador ilustrativo que não deve ser interpretado como uma regra para todos os usuários.
De qualquer forma, o recado é importante: você tem pouco tempo para despertar o interesse de quem está navegando.
Por isso, vale fugir das divulgações genéricas.
Experimente fotografias diferentes, títulos mais curiosos, composições criativas e elementos visuais que ajudem a transmitir a experiência da sua prova.
No entanto, cuidado para não exagerar.
Uma imagem completamente aleatória pode até chamar atenção, mas será que ela gera identificação com o atleta? Será que comunica aquilo que seu evento pretende entregar?
Sua arte precisa despertar interesse sem perder a clareza.
Nesse sentido, Lohaine recomenda utilizar fotografias de boa resolução, preferencialmente do próprio evento ou de bancos de imagens.
As imagens precisam ter relação com a proposta da corrida. Afinal, se você promete uma experiência de aventura, faz sentido mostrar os desafios do percurso. Se a proposta envolve comunidade e diversão, por que não valorizar esses momentos nas peças?
Além disso, procure evitar textos que poderiam ser utilizados por qualquer outra prova. Sua comunicação precisa mostrar por que o seu evento merece a atenção do atleta.
Portanto, seja criativo, experimente formatos e procure se diferenciar. Mas lembre-se de que chamar atenção não é o mesmo que gerar interesse.
4. Dica bônus: a inteligência artificial está ai para ajudar
Nem todo organizador conta com uma equipe de marketing ou um designer dedicado exclusivamente à criação das peças do evento.
Porém, hoje existem ferramentas de inteligência artificial que podem facilitar bastante essa rotina. E não estamos falando apenas de gerar imagens.
A IA pode ajudar desde o planejamento da comunicação até a adaptação de uma peça para diferentes canais.
Confira algumas possibilidades:
ChatGPT: Pode ser utilizado para criar ideias de campanhas, desenvolver títulos, revisar textos e organizar briefings.
Por exemplo, você pode informar as características da sua corrida, o público-alvo e o objetivo de uma divulgação para receber sugestões de chamadas e abordagens diferentes.
Nano Banana, do Google: Ajuda na criação e edição de imagens. Assim, é possível experimentar cenários, ajustar fundos, testar composições e desenvolver referências visuais para campanhas.
Higgsfield: Permite explorar a criação de vídeos e animações com inteligência artificial. Dessa forma, o organizador pode desenvolver conteúdos audiovisuais para apresentar conceitos de campanhas, kits e medalhas.
Canva: É uma alternativa acessível para criar artes de redes sociais, banners e materiais promocionais. Além disso, seus recursos de IA ajudam a adaptar formatos, editar imagens e produzir diferentes versões de uma mesma peça.
Entretanto, vale um alerta. A inteligência artificial precisa trabalhar a favor da identidade do seu evento, e não substituí-la.
Quando todos utilizam os mesmos modelos, referências e comandos genéricos, o resultado pode ser uma comunicação cada vez mais parecida com a dos concorrentes.
Por isso, utilize essas ferramentas para ganhar tempo, explorar possibilidades e melhorar suas entregas. No entanto, preserve as características da sua marca e revise cuidadosamente os resultados, principalmente imagens, textos e informações sobre a prova.
Uma boa comunicação começa pelo básico
Não é necessário ter um grande orçamento para melhorar as artes de divulgação do seu evento.
Em muitos casos, o primeiro passo está em organizar melhor as informações, escolher boas imagens, respeitar a identidade visual e pensar no que realmente importa para o atleta.
Como resume Lohaine: “Ser visto é ser lembrado!”
Mas, para ser lembrado, o evento precisa construir uma comunicação que faça sentido e seja reconhecida pelo público.
Afinal, em meio a tantas provas disputando espaço no calendário e nas redes sociais, uma boa divulgação pode ser o primeiro passo para transformar a atenção de um atleta em uma nova inscrição.