Você precisa sair da frente, não do caminho
Um dia você vai sair de cena.
Já imaginou o seu evento acontecendo… sem você?
Sem você pra aprovar o layout do kit, revisar o regulamento, acalmar a ansiedade do patrocinador e apagar incêndios no WhatsApp às 23h.
Pois é. Esse pensamento me veio com força depois de ler o recente artigo do nosso CEO, quando ele pontua:
“O desafio é entender que o seu projeto não é (só) você.”
— Daniel Krutman, no artigo Seus eventos existem sem você? E foi aí que bateu a pergunta: será que (eu) a gente tá mesmo construindo algo que vai durar? Ou só mantendo tudo funcionando enquanto ainda temos energia pra dar conta?
Com o tempo, a gente aprende a observar
Depois de mais de uma década conversando com organizadores de todos os cantos do Brasil — dos gigantes aos guerreiros regionais — eu percebi algo em comum: muitos projetos ainda dependem de uma única pessoa pra tudo. Tudo mesmo.
É o organizador que faz o site, negocia o preço da água, define o percurso, confere se a camiseta chegou certa e ainda pilota o carro madrinha.
E eu falo com propriedade, porque já fui exatamente assim quando a história Ticket Sports começou. No início desta trajetória, era isso mesmo: fazer tudo, controlar tudo, resolver tudo. E até hoje, em alguns momentos, me pego enfrentando os mesmos desafios que você talvez esteja vivendo agora — o desafio de confiar, de delegar, de praticar o desapego.
E sabe o que é mais louco? Funciona.
Até deixar de funcionar.
Liderar também é soltar o leme
Como praticante na modalidade de canoa havaiana, aprendi que o leme dá direção. Dessa forma, se o leme quebra, a equipe até segue… mas sem uma das ferramentas mais importantes que balizam o caminho da canoa.
Na vida e nos eventos, é igual.
Liderar é ser o leme — orientar, proteger a energia da equipe, sentir a maré. Entretanto, não dá pra remar e guiar tudo sozinho.
Chega uma hora que é preciso confiar. Delegar. Estruturar.
Se um dia você precisar sair, a canoa precisa seguir — com ritmo, propósito e direção.
A diferença entre estar à frente e ser insubstituível
Crescimento de verdade não acontece quando tudo depende de você. Na verdade, acontece quando o projeto se sustenta com autonomia, mesmo com você ali por perto.
Empresas familiares enfrentam isso o tempo todo. E como escreveu Luana Ferreira, no portal Empreendedores:
“Muitos fundadores têm dificuldade de descentralizar as decisões, e essa resistência pode limitar o crescimento e colocar em risco a continuidade do negócio.”
Sendo assim, é um exercício de confiança. Um movimento de maturidade. E, às vezes, a parte mais difícil: desapegar do controle sem se afastar da missão.
Um exemplo que me inspirou: Meia do Sol
Recentemente conheci mais de perto o projeto da Meia do Sol, em Natal/RN, e desde então ele tem me inspirado muito.
É uma daquelas provas que é referência regional, mas agora, com uma parceria firmada para os próximos 3 anos, vamos trabalhar juntos para que ela ganhe ainda mais força e representatividade no cenário nacional.
O nome por trás disso é o do Nivaldo Pereira, da Hora de Correr / HC Sports. Ele lidera, executa, programa, desenha e entrega.
Do CRM ao site, do conceito à operação — é um projeto com alma.
“É muito bom ver tudo o que sonhamos acontecendo como planejado. A estrutura que montamos na Arena das Dunas e a experiência vivida pelos atletas no gramado, torna a Meia do Sol uma prova única” — Nivaldo Pereira, diretor técnico da HC Sports
Já ouvi relatos de o evento travar porque…
O acesso ao site estava salvo só no notebook do organizador, só uma pessoa sabia onde estavam os troféus, ninguém sabia qual era o prazo real pro pedido das medalhas. Ou pior, o patrocinador não tinha retorno porque “só o dono responde”.
Esses detalhes minam o crescimento. Além disso: esgota quem criou tudo com tanto amor.
O leme continua, mesmo com menos peso
Falar tudo isso aqui não é uma provocação só para quem lê.
É também uma reflexão pessoal, porque — de forma mais silenciosa — venho exercitando isso na minha própria jornada.
Nesse hiato, depois de pouco mais de 1 ano da venda da Ticket Sports para a Ingresse, tenho vivido o desafio de praticar algo que sempre acreditei: liderar não é ocupar todos os espaços, mas sim aprender a tirar o peso da própria presença — mantendo-se presente de forma mais leve, estratégica e sustentável.
Não porque quero sair da canoa, mas porque acredito que ela pode seguir ainda mais longe quando todos remam juntos, com autonomia, confiança e ritmo próprio.
Este processo me deu maturidade para entender que é um trabalho interno, muitas vezes invisível — de escuta, equilíbrio e maturidade.
Porque o leme não é sobre controle.
É sobre direção.
E às vezes, o maior ato de liderança é saber quando orientar… e quando deixar fluir.
E deixar fluir é crescer
Crescimento não é sobre fazer mais.
Na realidade, é sobre fazer com inteligência, com equipe, com continuidade.
Seu evento não precisa viver sem você.
Mas ele precisa ser capaz de viver além de você!
E talvez o grande aprendizado de tudo isso seja esse:
Precisamos sair da frente — não do caminho.
Porque quem lidera de verdade não some.
Orienta, abre espaço, fortalece.
E segue presente, mesmo quando não está mais no centro.