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PLANEJAMENTO
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Eleições 2026: como planejar suas campanhas de inscrições em um período de atenção disputada?

Caio Carvalho Por Caio Carvalho
5 min de leitura

Resumo

Com dados históricos da Ticket Sports, o artigo mostra que o atleta continuou comprando inscrições no período eleitoral de 2022 (mais de 85 mil em outubro) e que a queda em outubro também ocorreu em 2025, sem eleição. A recomendação é administrar a intensidade das campanhas em ondas, aproveitando setembro.

Fui aos dados históricos da Ticket Sports para entender como as vendas se comportaram em outros períodos eleitorais e tirar alguns insights para quem está planejando campanhas de inscrições para setembro e outubro.

Falta menos de um mês para o primeiro turno das eleições de 2026.

No dia 4 de outubro, o Brasil vai às urnas. Caso haja segundo turno, uma nova votação acontecerá em 25 de outubro.

Para quem organiza eventos esportivos, isso significa que teremos um ingrediente a mais disputando espaço com nossas campanhas: pesquisas, debates, propaganda eleitoral, noticiário e, claro, as redes sociais.

Não acredito que isso faça as pessoas simplesmente pararem de comprar inscrições. Mas acredito, sim, que a atenção do atleta vai ficar bem mais disputada em determinados momentos.

E foi daí que nasceu minha pergunta:

Como administrar a intensidade das campanhas durante esse período?

Fui olhar alguns dados em nosso histórico.

O que aconteceu na última eleição presidencial?

Em 2022, o primeiro turno aconteceu em 2 de outubro e o segundo em 30 de outubro.

Ou seja: praticamente todo aquele mês foi atravessado pela disputa presidencial.

Mesmo assim, dados históricos do sistema legado da Ticket Sports mostram que mais de 85 mil inscrições foram compradas pela plataforma somente em outubro. Isso não quer dizer que a eleição não tenha afetado determinados dias. Mas mostra algo importante: o mercado continuou comprando durante o período eleitoral.

Fui também olhar o comportamento das aberturas de eventos naquele período. O dado reforça essa leitura: entre o primeiro e o segundo turnos de 2022, mais de 130 eventos tiveram abertura registrada na Ticket Sports. E, considerando apenas provas que aconteceriam entre outubro e dezembro, o número de eventos com abertura em outubro foi 33% maior do que em setembro. Ou seja, não foram apenas os atletas que continuaram comprando. Os próprios organizadores continuaram colocando novos projetos no mercado durante a eleição.

A provocação para fazer esse exercício veio de uma matéria recente que li do InfoMoney. Um estudo do UBS citado na reportagem sobre, recomendações de investimentos, não encontrou um padrão consistente de aumento da volatilidade apenas pela existência de eleições, embora alguns especialistas apontem movimentos mais fortes em determinado dia ou semana.

São mercados completamente diferentes, mas fiquei pensando se não existe uma lógica parecida por aqui:

Atenção e intenção de compra não são necessariamente a mesma coisa.

Outubro desacelera? Sim. Mas não só quando tem eleição.

Depois fui olhar o movimento das inscrições da Ticket Sports nos anos seguintes e para não expor dados sensíveis, preferi trabalhar apenas com as variações percentuais.

Eleições 2026: como planejar suas campanhas de inscrições em um período de atenção disputada?

Outubro de 2024, ano das eleições municipais, realmente desacelerou.

Se eu parasse a análise ali, seria fácil colocar a conta na eleição.

Só que em 2025, sem eleição, a queda de setembro para outubro foi ainda maior. O GMV acompanhou a mesma direção.

Isso não significa que as eleições sejam irrelevantes. Minha leitura é outra: seria precipitado atribuir qualquer queda de outubro exclusivamente às urnas.

Calendário das provas, feriados, lotes, campanhas, poder de compra, quantidade de eventos disponíveis e sazonalidade também entram nessa equação.

E setembro chamou ainda mais atenção

Nos três anos analisados, setembro cresceu em relação a agosto:

  • +7% em 2023
  • +24% em 2024
  • +35% em 2025

Se setembro vem apresentando boa intensidade comercial, diminuir demais a comunicação simplesmente esperando a eleição passar também pode ser uma decisão arriscada.

Principalmente para quem tem evento no último trimestre.

Pode ser justamente agora a hora de construir base, ganhar tração e chegar às semanas mais disputadas com a campanha já rodando.

O que é recomendável?

Eu não pensaria em campanha ligada ou desligada.

Pensaria em ondas de intensidade.

  • Setembro: aproveitaria para ganhar tração, trabalhar abertura, lotes, grupos, assessorias e influenciadores.
  • Reta final antes dos turnos: manteria o acompanhamento das vendas, mas evitaria depender de uma única grande ação.
  • Dias de votação: eu não concentraria ali a principal abertura, a maior verba de mídia ou uma virada decisiva de lote.
  • Entre os turnos: retomaria intensidade com uma nova onda.
  • Depois da eleição: hora de acelerar novamente, principalmente para as provas de novembro e dezembro.

E, nos momentos em que a atenção estiver mais disputada, eu mudaria também a distância da conversa: mais remarketing, WhatsApp, grupos, assessorias e atletas que já conhecem o evento.

Menos dependência de explicar sua prova para alguém completamente novo naquele exato momento.

O que tirar desses números?

Não acho que os dados permitam dizer que uma eleição não interfere nas vendas. Para afirmar isso, precisaríamos de uma análise diária muito mais profunda.

Mas eles deixam três pistas bem claras:

  1. O atleta continua comprando durante o período eleitoral.
  2. Uma desaceleração em outubro não acontece apenas em anos de eleição.
  3. E setembro tem sido uma janela comercial importante.

Por isso, se eu estivesse, no seu lugar, planejando uma campanha para os próximos dois meses, minha decisão não seria parar.

Seria administrar a intensidade.

Antecipar o que puder. Distribuir as principais ações. Evitar depender justamente dos momentos em que o país inteiro estará olhando para a mesma coisa.

A eleição vai disputar atenção, mas sua prova não precisa disputar todos os momentos.


Referências

  • Ticket Sports: dados de 2022 e análises agregadas de inscrições de 2023, 2024 e 2025.
  • InfoMoney — “A um mês para a eleição, é melhor investir agora ou esperar? Especialistas respondem”. Acessar a matéria
  • Tribunal Superior Eleitoral — Calendário das Eleições 2026. Consultar o calendário eleitoral
  • Cielo — levantamento sobre o comportamento do varejo em outubro de 2022.  Acessar o levantamento

Perguntas frequentes

As eleições fizeram as vendas de inscrições pararem em 2022?

Não. Mesmo com o primeiro turno em 2 de outubro e o segundo em 30 de outubro, mais de 85 mil inscrições foram compradas pela plataforma somente em outubro, e mais de 130 eventos tiveram abertura registrada entre os turnos.

Outubro desacelera só em anos de eleição?

Não. Outubro de 2024, ano de eleições municipais, desacelerou, mas em 2025, sem eleição, a queda de setembro para outubro foi ainda maior. Calendário, feriados, lotes e sazonalidade também influenciam.

Como planejar campanhas no período eleitoral, segundo o autor?

Pensar em ondas de intensidade: ganhar tração em setembro, evitar concentrar abertura, verba de mídia ou virada de lote nos dias de votação, retomar entre os turnos e acelerar depois da eleição, reforçando remarketing, WhatsApp e grupos.

Caio Carvalho

Caio Carvalho

Diretor de novos negócios no Ticket Sports, atleta amador multiesportes e ainda profissional influente no mercado esportivo, surfando com desenvoltura nas ondas de vendas e marketing digital. Possui uma trajetória consolidada na concepção de abordagens estratégicas junto aos principais protagonistas do esporte participativo no Brasil.

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