O que podemos aprender com a Meia Maratona de Shanghai
Recentemente, nosso CEO esteve na China em uma missão liderada pelo Arena Hub, que reuniu executivos e profissionais do mercado esportivo para conhecer de perto iniciativas e eventos do país.
Durante a visita, foi possível acompanhar de perto a Meia Maratona de Shanghai, uma das provas mais relevantes da cidade. Além disso, a experiência trouxe alguns insights importantes sobre organização de eventos, cultura esportiva e o crescimento da corrida no país.
A seguir, alguns pontos que chamaram atenção.
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Case: Meia Maratona de Shanghai
Foi um privilégio ver de perto a Meia Maratona de Shanghai. A cidade estava tomada por 15 mil pessoas correndo 21 km, em uma atmosfera que mistura esporte, organização e forte participação da comunidade.
O evento, patrocinado pela Adidas, é limitado a 15 mil atletas. Ainda assim, poderia facilmente receber 50 mil corredores.
Segundo os organizadores, que também são responsáveis pela Maratona de Shanghai — potencial próxima Major, a estratégia é controlar o crescimento de forma gradual. Por isso, há alguns anos, as inscrições são realizadas por sorteio.

Além disso, fica claro que a China está correndo muito. Em alguns finais de semana, especialmente durante a primavera, acontecem mais de 15 maratonas simultaneamente no país.
Nesse contexto, o apoio do governo também chama atenção, já que existe incentivo público para o desenvolvimento do esporte e dos eventos.
Portanto, faz bastante sentido imaginar uma Major Marathon no coração da Ásia.
Números atualizados da Meia de Shanghai
No total, são 2.500 voluntários trabalhando no evento. Isso representa um voluntário para cada seis corredores, algo que reflete uma cultura muito forte de colaboração e vida em sociedade.
Além disso, o evento gasta pouco com staff direto. Em geral, os custos estão concentrados em materiais esportivos para os voluntários, alimentação e contratações em posições estratégicas, principalmente ligadas às ativações de marcas.
Aliás, as ativações comerciais e o licenciamento de produtos são bastante explorados.
Para se ter uma ideia, o óculos oficial da prova estava sendo vendido por cerca de R$400.

Já o valor da inscrição era fixo e único. Por aproximadamente US$21 (cerca de R$115), o atleta recebia apenas número de peito, medalha e a experiência da prova.
Mesmo assim, o GMV estimado apenas com inscrições chega a cerca de R$1.700.000.
A dor e o prazer de virar uma Major
Por outro lado, o grande objetivo está na maratona.
São esperados 23 mil maratonistas para a primeira Major Marathon da China, prevista para acontecer em Shanghai. A expectativa é que o status de Major seja oficializado em 2027.
Nesse caso, a inscrição já salta para cerca de US$160, o que leva o GMV estimado apenas com inscrições para mais de R$20 milhões — sem contar patrocínios e outras receitas.
Diante desse cenário, perguntamos aos organizadores como é a sensação de transformar uma prova em uma Major.
A resposta foi direta:
“Honored… and so much work.”
Para quem trabalha com eventos, esses momentos de virada costumam mesmo ser paradoxais.
Segundo a organização, a World Marathon Majors (WMM) entregou uma lista com 103 exigências que precisam ser cumpridas até 2026 para que Shanghai finalmente cruze essa linha de chegada.
É um checklist praticamente infinito.
Mas, ao que tudo indica, vale a pena.