Quando falamos sobre grandes maratonas internacionais, principalmente na Europa, é comum imaginarmos eventos extremamente organizados, experiências diferenciadas e operações que servem de referência para o mundo.
No entanto, depois de participar da Maratona de Amsterdã 2026, ficou uma reflexão importante: nem sempre as provas europeias estão à frente das brasileiras.
Realizada em 18 de outubro, a 51ª edição da prova reuniu cerca de 32 mil maratonistas, sob chuva e vento, em um dos eventos de corrida mais conhecidos da Holanda.
A experiência trouxe bons aprendizados, principalmente na Expo. Porém, também revelou pontos de atenção na operação que mostram o quanto ainda existe espaço para evolução, independentemente do tamanho ou da tradição de uma prova.
Uma Expo com boas ideias para organizadores
A experiência começa muito antes da largada. Em Amsterdã, a Expo foi um dos pontos positivos do evento.
Realizada no centro de convenções RAI Amsterdam, ela reuniu mais de 50 expositores, entre marcas de equipamentos, vestuário, nutrição e outros produtos ligados à corrida.
Entre as ativações, uma ideia chamou atenção: um palco posicionado no meio da Expo, integrado ao fluxo natural dos visitantes.
Dessa forma, o atleta não precisava se deslocar para uma área isolada para acompanhar as apresentações. Pelo contrário, os conteúdos faziam parte da própria experiência de circulação, criando oportunidades para reter o público e ampliar o contato com as marcas.
Outro ponto curioso foi a presença de estandes de marcas concorrentes da Mizuno, parceira esportiva oficial da prova. A diversidade de expositores ampliava as possibilidades de interação com o público, mesmo em um evento com uma marca esportiva fortemente associada à sua identidade. Será que no Brasil seria viável?
No entanto, uma das melhores iniciativas aconteceu antes mesmo da visita.
A organização enviou por e-mail uma previsão dos períodos de maior lotação da Expo. Com isso, os atletas podiam escolher horários potencialmente mais tranquilos para retirar seus kits e conhecer as ativações.

Uma ação relativamente simples, mas que ajuda a distribuir o fluxo e melhora a experiência do participante.
Na corrida, nem tudo saiu como esperado
Se a Expo apresentou boas ideias, a experiência no percurso deixou algumas dúvidas.
Em uma maratona com milhares de participantes, detalhes operacionais podem fazer muita diferença. E, durante a prova, alguns deles chamaram atenção negativamente.
Em determinados trechos, o percurso afunilava sem uma sinalização prévia perceptível, o que comprometia a fluidez da corrida.
Além disso, a hidratação era oferecida em copos plásticos e, nos postos observados, ficava concentrada em apenas um lado do percurso. Consequentemente, os atletas precisavam se deslocar na mesma direção para acessar a água, gerando maior concentração de corredores.
São decisões que podem parecer pequenas, mas que impactam diretamente a experiência, principalmente em uma prova dessa dimensão.
Ainda assim, houve um elemento que transformou o dia: a torcida.
Mesmo com chuva e vento, o apoio das pessoas nas ruas de Amsterdã foi impressionante. A energia dos espectadores ajudou a transformar uma experiência que poderia ter sido apenas mediana em uma lembrança especial.
E esse talvez seja um dos maiores aprendizados da prova.
O que o Brasil pode aprender e também ensinar?
Visitar e participar de eventos internacionais é uma oportunidade para conhecer novas práticas, observar ativações e trazer referências para o mercado brasileiro.
No entanto, isso não significa que todas as soluções encontradas lá fora sejam superiores às nossas.
A Maratona de Amsterdã mostrou iniciativas interessantes de experiência e comunicação antes da prova. Por outro lado, alguns pontos básicos da operação, como hidratação, sinalização e fluidez do percurso, deixaram espaço para melhorias.
É importante reconhecer que essa é uma avaliação a partir da experiência de um participante, e não uma análise completa da operação do evento.
Ainda assim, ela reforça um ponto importante: uma grande prova não se constrói apenas com números, tradição ou reconhecimento internacional.
A experiência depende também de como cada detalhe funciona para quem está correndo. Por isso, vale olhar para as grandes maratonas com curiosidade, mas também com senso crítico.
Afinal, o mercado brasileiro de eventos esportivos tem seus próprios aprendizados, soluções e experiências que merecem reconhecimento.
Nem sempre precisamos atravessar o oceano para encontrar uma boa referência de organização.