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Nem sempre a Europa está à frente: o que aprendemos na Maratona de Amsterdã

Guilherme Delboni Por Guilherme Delboni
4 min de leitura

Resumo

A Maratona de Amsterdã 2026 reuniu cerca de 32 mil corredores e apresentou boas iniciativas na Expo. No entanto, a experiência no percurso revelou pontos de melhoria e mostrou que eventos europeus também têm muito a aprender com a organização de provas no Brasil.

Quando falamos sobre grandes maratonas internacionais, principalmente na Europa, é comum imaginarmos eventos extremamente organizados, experiências diferenciadas e operações que servem de referência para o mundo.

No entanto, depois de participar da Maratona de Amsterdã 2026, ficou uma reflexão importante: nem sempre as provas europeias estão à frente das brasileiras.

Realizada em 18 de outubro, a 51ª edição da prova reuniu cerca de 32 mil maratonistas, sob chuva e vento, em um dos eventos de corrida mais conhecidos da Holanda.

A experiência trouxe bons aprendizados, principalmente na Expo. Porém, também revelou pontos de atenção na operação que mostram o quanto ainda existe espaço para evolução, independentemente do tamanho ou da tradição de uma prova.

Uma Expo com boas ideias para organizadores

A experiência começa muito antes da largada. Em Amsterdã, a Expo foi um dos pontos positivos do evento.

Realizada no centro de convenções RAI Amsterdam, ela reuniu mais de 50 expositores, entre marcas de equipamentos, vestuário, nutrição e outros produtos ligados à corrida.

Entre as ativações, uma ideia chamou atenção: um palco posicionado no meio da Expo, integrado ao fluxo natural dos visitantes.

Dessa forma, o atleta não precisava se deslocar para uma área isolada para acompanhar as apresentações. Pelo contrário, os conteúdos faziam parte da própria experiência de circulação, criando oportunidades para reter o público e ampliar o contato com as marcas.

Outro ponto curioso foi a presença de estandes de marcas concorrentes da Mizuno, parceira esportiva oficial da prova. A diversidade de expositores ampliava as possibilidades de interação com o público, mesmo em um evento com uma marca esportiva fortemente associada à sua identidade. Será que no Brasil seria viável?

No entanto, uma das melhores iniciativas aconteceu antes mesmo da visita.

A organização enviou por e-mail uma previsão dos períodos de maior lotação da Expo. Com isso, os atletas podiam escolher horários potencialmente mais tranquilos para retirar seus kits e conhecer as ativações.

Nem sempre a Europa está à frente: o que aprendemos na Maratona de Amsterdã

Uma ação relativamente simples, mas que ajuda a distribuir o fluxo e melhora a experiência do participante.

Na corrida, nem tudo saiu como esperado

Se a Expo apresentou boas ideias, a experiência no percurso deixou algumas dúvidas.

Em uma maratona com milhares de participantes, detalhes operacionais podem fazer muita diferença. E, durante a prova, alguns deles chamaram atenção negativamente.

Em determinados trechos, o percurso afunilava sem uma sinalização prévia perceptível, o que comprometia a fluidez da corrida.

Além disso, a hidratação era oferecida em copos plásticos e, nos postos observados, ficava concentrada em apenas um lado do percurso. Consequentemente, os atletas precisavam se deslocar na mesma direção para acessar a água, gerando maior concentração de corredores.

São decisões que podem parecer pequenas, mas que impactam diretamente a experiência, principalmente em uma prova dessa dimensão.

Ainda assim, houve um elemento que transformou o dia: a torcida.

Mesmo com chuva e vento, o apoio das pessoas nas ruas de Amsterdã foi impressionante. A energia dos espectadores ajudou a transformar uma experiência que poderia ter sido apenas mediana em uma lembrança especial.

E esse talvez seja um dos maiores aprendizados da prova.

O que o Brasil pode aprender e também ensinar?

Visitar e participar de eventos internacionais é uma oportunidade para conhecer novas práticas, observar ativações e trazer referências para o mercado brasileiro.

No entanto, isso não significa que todas as soluções encontradas lá fora sejam superiores às nossas.

A Maratona de Amsterdã mostrou iniciativas interessantes de experiência e comunicação antes da prova. Por outro lado, alguns pontos básicos da operação, como hidratação, sinalização e fluidez do percurso, deixaram espaço para melhorias.

É importante reconhecer que essa é uma avaliação a partir da experiência de um participante, e não uma análise completa da operação do evento.

Ainda assim, ela reforça um ponto importante: uma grande prova não se constrói apenas com números, tradição ou reconhecimento internacional.

A experiência depende também de como cada detalhe funciona para quem está correndo. Por isso, vale olhar para as grandes maratonas com curiosidade, mas também com senso crítico.

Afinal, o mercado brasileiro de eventos esportivos tem seus próprios aprendizados, soluções e experiências que merecem reconhecimento.

Nem sempre precisamos atravessar o oceano para encontrar uma boa referência de organização.

Perguntas frequentes

Como foi a Maratona de Amsterdã 2026?

A prova aconteceu em 18 de outubro, com mais de 30 mil corredores enfrentando chuva e vento. A experiência se destacou pela presença da torcida e trouxe observações sobre a Expo, a comunicação e a operação do percurso.

O que chamou atenção na Expo da Maratona de Amsterdã?

Entre os destaques estavam o palco integrado ao fluxo de visitantes, a presença de diferentes marcas esportivas e o envio antecipado de uma previsão dos horários de maior lotação.

O que os organizadores brasileiros podem aprender com a Maratona de Amsterdã?

A experiência apresenta referências para melhorar a comunicação antes do evento, planejar o fluxo de visitantes, criar ativações comerciais e avaliar aspectos operacionais como hidratação e sinalização.

Guilherme Delboni

Guilherme Delboni

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