Pipoca nos eventos esportivos: Uma análise para além do hate das redes sociais.
A participação de atletas não inscritos, popularmente conhecidos como “pipocas”, é um dos temas mais debatidos no universo das corridas de rua.
Para entender melhor quem são essas pessoas, quais são suas motivações e como enxergam sua relação com as provas, a Ticket Sports, lança a pesquisa inédita “Pipocas nos eventos: uma análise dos corredores ‘pipoca’ para além do hate nas redes sociais”, com participantes de eventos esportivos de todo o Brasil.
O estudo sobre pipoca nos eventos esportivos mostra que o alto custo das inscrições é o principal motivo para a prática. Ao mesmo tempo, também aponta oportunidades para organizadores ampliarem o valor percebido dos eventos e fortalecerem o relacionamento com diferentes perfis de atletas.
A origem do termo “pipoca”
A palavra “pipoca” surgiu no Carnaval de Salvador.
Nas décadas de 1980 e 1990, o termo passou a identificar os foliões que acompanhavam os trios elétricos sem abadá, do lado de fora dos blocos oficiais.
Com o tempo, a expressão foi incorporada a outros contextos para designar quem participa de uma atividade coletiva sem adesão formal.
Nas corridas de rua, “pipoca” passou a definir o corredor que faz o percurso sem inscrição oficial. No entanto, diferentemente do Carnaval, esses participantes ocupam o mesmo espaço operacional planejado para os inscritos.
Por isso, a comparação pode ser inadequada. Além disso, há quem considere o termo até brando para descrever essa prática dentro dos eventos esportivos.
36% dos corredores já participaram como “pipoca”
Entre os respondentes, 36,3% afirmaram já ter participado de algum evento esportivo sem inscrição oficial. Ou seja, quase quatro em cada dez atletas já vivenciaram essa experiência.
Do total de “pipocas”, 54,7% são mulheres e 45,3% são homens. Além disso, 29,6% desse grupo participou de quatro a seis eventos no último ano, com ou sem pagamento de inscrição.
Esses dados mostram que o fenômeno não é isolado. Pelo contrário, ele aparece de forma relevante dentro da comunidade esportiva e ajuda a ampliar uma discussão que, muitas vezes, fica restrita às redes sociais.
Valor das inscrições é o principal motivo
O estudo identificou que o principal motivo para participar como pipoca é o valor das inscrições.
Mais da metade dos entrevistados que já correram sem inscrição, 50,3%, apontaram o preço como fator determinante. Além disso, outros motivos relevantes também aparecem no levantamento.
Entre eles estão acompanhar amigos ou familiares, citado por 35,5% dos respondentes; decidir participar em cima da hora, com 16,9%; e não conseguir vaga para a prova, apontado por 14,6%.
Portanto, embora o custo seja o principal fator, ele não explica sozinho o comportamento. A prática também está ligada a relações sociais, acesso, disponibilidade de vagas e decisões tomadas próximo ao evento.
O componente social dos “pipocas”
Segundo o estudo, o fenômeno também possui um forte componente social.
Grande parte dos participantes afirma correr acompanhada de amigos, familiares ou grupos de corrida. Além disso, 59% dos pipocas costumam levar outras pessoas para participar da mesma forma.
Esse dado ajuda a mostrar que a participação sem inscrição não acontece apenas de maneira individual. Muitas vezes, ela está conectada à dinâmica de grupos, convites, influência social e ao desejo de viver a experiência coletiva do evento.
Para Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, os resultados mostram que o tema precisa ser analisado com mais profundidade.
“Os resultados mostram que o fenômeno dos ‘pipocas’ é muito mais complexo do que uma simples escolha entre se inscrever ou não. No nosso papel, e no profundo interesse por tudo que toca esse setor, voltamos com esse assunto. O material tenta ser analítico, mas menos julgador. Não tem plano de ação, não tem conclusão do que é melhor para o mundo. Mas tem a maior profundidade sobre o tema já elaborado. Também não é exercício de empatia. Temos nossas crenças claras. É sobre curiosidade e entrega de insights preciosos para quem cuida desse trabalho gigante que é criar e produzir um evento esportivo. Para além das brigas em redes sociais. Para além do hate. Para criar pontos de escuta e clareza”.
Pertencimento ajuda a explicar a prática
Outro dado que chama atenção é o sentimento de pertencimento.
Mesmo sem estarem oficialmente inscritos, 43,6% dos pipocas afirmam se considerar total ou parcialmente parte do evento.
Para Gabriela Donatello, Head de Marketing e uma das coordenadoras do estudo, esse resultado ajuda a explicar por que a prática é frequentemente naturalizada dentro da comunidade esportiva.
“O estudo nos ajuda a entender melhor esse comportamento e mostra que existe uma oportunidade importante para organizadores fortalecerem o relacionamento com esses atletas, comunicando melhor seus diferenciais e criando experiências cada vez mais relevantes. O dado de que mais de 90% dos participantes que já correram como pipoca também realizam inscrições oficiais em outras provas reforça que estamos falando de um público que faz parte do ecossistema dos eventos esportivos e que pode ser convertido e fidelizado por meio de estratégias adequadas.”
Quase metade usa alguma estrutura do evento
Embora muitos participantes afirmem utilizar apenas o trajeto da prova, o estudo mostra que quase metade dos pipocas faz uso de alguma estrutura do evento além do percurso.
Segundo o levantamento, 48,8% utilizam pontos de hidratação, banheiros, áreas de convivência ou outros recursos oferecidos pela organização.
Apesar disso, 71,5% dos atletas que já participaram como pipoca acreditam que sua presença não gera impacto financeiro para os organizadores.
Entre aqueles que nunca participaram sem inscrição, a percepção é diferente. Nesse grupo, 63,1% consideram que a prática traz impactos econômicos para a realização das provas.
Assim, o estudo revela uma diferença importante de percepção entre quem já participou como pipoca e quem nunca aderiu à prática.
Debate divide opiniões entre os atletas
O estudo também ouviu atletas que nunca participaram de eventos como pipoca.
Entre eles, 45% consideram a prática aceitável em determinadas circunstâncias, enquanto 55% discordam. Além disso, 38,3% afirmaram que poderiam considerar essa possibilidade no futuro.
Mesmo sem terem sua experiência prejudicada diretamente, 50,9% dos participantes que nunca foram pipocas consideram a prática injusta com quem pagou pela inscrição.
Por outro lado, muitos associam o fenômeno à democratização do esporte, ao aumento dos custos das provas e à dificuldade de acesso a vagas em eventos concorridos.
Outro resultado relevante mostra que quase 77% dos entrevistados conhecem alguém que já participou de uma prova sem inscrição, evidenciando que o comportamento está presente no cotidiano da comunidade esportiva brasileira.
Um debate que vai além da fiscalização
O estudo da Ticket Sports mostra que o debate sobre os pipocas está longe de ser simples.
O material sugere que a discussão sobre o tema não passa apenas por medidas de fiscalização. Ela também envolve a construção de eventos capazes de comunicar melhor seus diferenciais, ampliar o valor percebido da inscrição e criar experiências cada vez mais atrativas para diferentes perfis de participantes.
Portanto, mais do que reduzir o tema a uma disputa entre certo e errado, a pesquisa propõe uma análise mais profunda sobre comportamento, acesso, percepção de valor e relação dos atletas com os eventos.
Para organizadores, esse pode ser um ponto importante de escuta.
Afinal, entender por que tantos atletas participam sem inscrição oficial pode ajudar o mercado a criar estratégias mais claras, experiências mais relevantes e argumentos mais fortes para transformar interesse em inscrição.
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Pipoca nos eventos esportivos.