A camiseta do evento virou item de coleção. O que isso ensina para organizadores?
Em muitos eventos esportivos, a camiseta ainda é tratada como apenas mais um item do kit.
Ela entra no planejamento junto com número de peito, sacochila, brindes e materiais de patrocinadores. No entanto, quando olhamos para o comportamento dos atletas, fica claro que a camiseta ocupa um espaço muito maior na experiência.
Ela não é apenas uma peça de roupa. Na realidade, ela é lembrança, identidade, uso recorrente e, em muitos casos, item de coleção.
Segundo dados da pesquisa da Ticket Sports sobre os kits dos eventos esportivos, a qual contou com a resposta de mais de 8.500 atletas, mais da metade dos respondentes afirmou ter mais de 13 camisetas de eventos em casa. Além disso, apenas 1% respondeu não ter nenhuma camiseta desse tipo.
Ou seja, a camiseta deixou de ser um item pontual do dia da prova e passou a ocupar um lugar real no guarda-roupa esportivo dos participantes.
E isso muda a forma como organizadores devem pensar esse produto.
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A camiseta continua a experiência depois do evento
Como já mostramos por aqui, um evento esportivo não acaba na linha de chegada. A comunicação pós-prova, as fotos e os itens do kit seguem contando a história do evento. Com a camiseta, não poderia ser diferente.
Ela aparece em treinos, academias, viagens, redes sociais e até em outros eventos. Por isso, quando uma peça é bem produzida, ela ajuda a manter a prova viva na rotina do atleta.
Esse é um ponto importante.
A camiseta não deve ser pensada apenas para o dia da retirada do kit. Pelo contrário, ela precisa ser planejada para ser usada depois.
Afinal, se o atleta gosta da peça, ele veste. Se ele veste, a marca do evento circula. E, consequentemente, a lembrança da experiência continua.
Nesse sentido, a camiseta pode ser uma das maiores oportunidades de branding dentro do kit. Mas isso só acontece quando ela faz sentido para quem vai usar.
Qualidade do tecido é o fator mais importante
Quando os atletas foram perguntados sobre o que mais importa em uma camiseta de evento, um dado se destacou com muita força: 88,2% apontaram a qualidade do tecido.
Esse número mostra que o atleta percebe a diferença. Não basta entregar uma camiseta bonita na foto. Ela precisa ser confortável, funcional e adequada ao uso esportivo.

Depois da qualidade do tecido, aparecem outros fatores relevantes, como conforto, citado por 44,1% dos participantes, e estética ou beleza, mencionada por 26,5%.
Além disso, proteção solar, durabilidade, cor e marca também aparecem na lista, embora com menor peso.
Sendo assim, antes de pensar em estampa, cor ou impacto visual, o organizador precisa garantir que a camiseta seja boa de usar. Porque uma peça desconfortável dificilmente vira memória positiva. E, mais do que isso, dificilmente será usada de novo.
Marca importa, mas talvez não do jeito que parece
Outro dado interessante está na percepção sobre a marca da camiseta.
Quando os participantes avaliaram a importância da marca em uma escala de 1 a 5, 38,7% deram nota máxima. Além disso, 24,6% deram nota 4 e 23,5% deram nota 3.
Isso mostra que a marca tem relevância. No entanto, existe uma leitura importante aqui: talvez a marca não esteja atrelada apenas ao nome em si, mas à percepção de qualidade que ela carrega.

Ou seja, o atleta pode associar marcas conhecidas a peças mais duráveis, confortáveis e bem acabadas.
Ainda assim, isso não significa que apenas camisetas de marcas famosas funcionam. Uma peça bem produzida, mesmo sem uma marca muito conhecida, pode gerar satisfação, uso posterior e boa percepção de valor.
Portanto, o aprendizado para organizadores é claro: a marca pode ajudar, mas não substitui qualidade.
Se a camiseta entrega conforto, bom tecido e acabamento adequado, ela tem muito mais chance de ser usada.
Cores e estampas também influenciam o uso
A escolha de cores pode parecer um detalhe menor. Porém, na prática, ela influencia diretamente a chance de a camiseta ser usada depois do evento.
Segundo a pesquisa, 38,7% dos atletas preferem cores vivas e estampas pequenas. Logo depois, aparecem as cores neutras com estampa pequena, escolhidas por 35,5%.
Esse dado revela um ponto estratégico: o atleta não quer necessariamente uma peça apagada. Mas também não quer, em muitos casos, uma camiseta visualmente exagerada.

Existe uma preferência por equilíbrio. Cores vivas podem gerar identidade, presença e diferenciação. No entanto, estampas menores tendem a facilitar o uso no dia a dia.
Por isso, o organizador precisa pensar além da estética da prova. A camiseta deve funcionar também fora do evento.
Ela precisa ser bonita no kit, mas também usável na rotina.
Mais de 13 camisetas em casa: o que esse dado revela?
O dado de coleção talvez seja um dos mais fortes da pesquisa.
50,9% dos atletas afirmaram ter mais de 13 camisetas de eventos em casa. Além disso, 18,5% disseram ter de 5 a 8 camisetas, 15,7% têm de 9 a 12 e 13,9% têm de 1 a 4.
Isso mostra que a camiseta se tornou parte da memória esportiva do atleta.

Cada peça carrega uma história: uma primeira prova, uma superação, uma viagem, uma conquista, um grupo, uma distância nova ou um momento especial.
Nesse sentido, a camiseta deixa de ser apenas um produto. Ela passa a ser um registro. E isso pode fortalecer a relação emocional entre atleta e evento.
Portanto, quando o organizador trata a camiseta como algo genérico, perde uma oportunidade. Mas, quando pensa a peça como parte da experiência, cria um ativo de memória.
O que organizadores devem considerar ao escolher a camiseta
Os dados deixam uma mensagem prática para quem organiza eventos esportivos: a camiseta precisa ser pensada com intenção.
Antes de escolher o modelo, vale refletir sobre alguns pontos:
- A peça tem qualidade suficiente para ser usada depois?
- O tecido é confortável? A estampa conversa com a identidade do evento?
- Meu patrocinador está presente?
- A camiseta combina com a experiência que a prova quer entregar?
Essas perguntas ajudam a evitar decisões baseadas apenas em preço ou disponibilidade.
É claro que orçamento importa. No entanto, quando a camiseta é um dos itens mais valorizados do kit, escolher apenas pelo menor custo pode comprometer a percepção final do atleta.
Além disso, uma camiseta bem planejada pode gerar valor para todos os envolvidos: atleta, organizador, patrocinadores e marcas parceiras.
A camiseta como extensão da marca do evento
No fim, a camiseta é uma das formas mais visíveis de continuidade da prova.
Ela leva o evento para outros ambientes, outros treinos e outras conversas. Por isso, deve ser tratada como parte da estratégia de marca, não apenas como um item operacional do kit.
Um bom kit não é o que vem mais recheado. É o que entrega itens que fazem sentido para o atleta.
E, quando falamos de camiseta, os dados mostram que o caminho passa por qualidade, conforto, estética e usabilidade.
Porque a camiseta que o atleta guarda no armário pode até ser uma lembrança. Mas a camiseta que ele escolhe usar de novo é muito mais poderosa.
Ela mantém seu evento vivo depois da linha de chegada.
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